Criança
arrependida
Fiz duas arapucas para eu caçar
Logo de manhãzinha fui à mata armar
Era perto da casa do meu avo, num tal de gramixinga,
Sem muita coragem na mata comecei a entrar
Era mata rala limpo por baixo
Tinha muitas folhas no chão por La
Com o rosto voltado para casa do meu avo
Comecei as folhas tirar, fazendo um limpado;
Para minha a arapuca armar
Minha costa ficou virada para mato adentro
E de tempo em tempo o medo fazia-me arrepiar.
Armada a arapuca fui à casa do meu avô esperar,
Fiquei preocupado! Será que armadilha vai funciona
O tempo passou e na minha mente, não parava de rodar
Muita espécie de pássaro será que uma delas hoje vai
pegar
No sonho de guri continuava ali, ate à hora chegar
De ir até arapuca para ver se tinha algo para tirar
Fui à tarde correndo
Para ver duas arapucas que deixei lá
Uma não tinha nada,
Na outra tinha duas sabias,
Fiquei com dó de uma delas,
Pois o tempo veio muito a judiar
A cabeça dela estava no puro osso,
Com as penas espalhada por La
De tanto se bater na arapuca tentando escapar.
Meu avo me disse: filho por que isso?
Tem tudo aqui em casa para te saciar
Porque pegou esses pássaros que na mata poderia cantar
vô, Que devo fazer para que o perdão venha aliviar
Eu tenho umas as velas e vou te ensinar,
La na sanga, no passo dos cavalos, ache um lugar
Acenda a vela para negrinho pastoreio te ajudar
Era na boca da noite e medo veio a multiplicar
Vou La sim nessa devoção achar um lugar para rezar.
La chegando escolhi o lugar virado para norte
Na beira da sanga num barro preto e forte
Acendi uma vela e na fé de criança,
Estou livre do pecado dessa matança,
O alimento em casa era à-vontade por sorte,
Quanto à do sabia, na minha astucia a fiz facilitar,
Levando as duas a morte
Lembro-me até hoje com grande pesar
Tirei dela o direito de voar, cantar e as mata embelezar.
Emofa - sábado,
12 de abril de 2014, 16h59min: 13
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